OS EFEITOS DE CARBONATAÇÃO, LIXIVIAÇÃO E CHUVA ÁCIDA SOBRE AS TELHAS DE FIBROCIMENTO EM LONGO TEMPO DE EXPOSIÇÃO*
C.M.R. Dias, M.A. Cincotto, H. Savastano Jr., V.M. John
*Resumido e editado pela Infibra
Trabalho realizado pela equipe de pesquisadores do Departamento de Engenharia Civil da Escola Politécnica (POLI) e Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), da Universidade de São Paulo (USP). Foi publicado na revista Cement & Concrete Composites, Elsevier, 2.008. Aborda a degradação de telhas de cimento-amianto em longo tempo de exposição e em lugares diferentes.
O cimento-amianto é reconhecido como um material de alta durabilidade. Nos dias atuais, a discussão sobre os produtos sem amianto reside na deterioração das fibras orgânicas. Em contraste, não é dada a devida importância à deterioração da matriz, que também é responsável pelo desempenho do compósito.
Assim, conhecer os mecanismos de deterioração do cimento-amianto contribui para o desenvolvimento da nova tecnologia de produtos sem amianto.
Foi avaliado o desempenho mecânico de amostras de telhas em duas cidades diferentes, São Paulo/SP e Criciúma/SC, expostas há mais de 30 anos. Algumas análises especiais para avaliar a microestrutura e as composições química e mineralógica também foram realizadas.
O resultado aponta que as telhas de São Paulo, com 37 anos de exposição a intempéries, apresentaram desempenho mecânico similar às telhas sem uso, disponíveis atualmente no mercado.
Em Criciúma, em decorrência de contínua chuva ácida durante décadas, houve deterioração do fibrocimento, ocorrendo ataque ácido, carbonatação e lixiviação intensa. Esse processo resultou em alta porosidade e baixa resistência mecânica do material, e revelou que estes mecanismos de deterioração têm efeitos importantes no desempenho dos fibrocimentos, especialmente em produtos com pequena espessura.
As telhas de fibrocimento são finas (4mm a 10mm) e qualquer corrosão pode gerar impacto significativo em sua resistência mecânica. A matriz da telha ondulada de cimento-amianto pode sofrer deterioração pela lixiviação da água. A água lixivia os compostos do cimento hidratado, como portlandita, gesso e outros, e isso geralmente causa enfraquecimento do compósito. O efeito da chuva é negligenciado na maioria das situações. A chuva ácida, resultante da poluição, pode provocar deterioração ainda mais intensa que a lixiviação.
A matriz do fibrocimento pode sofrer deterioração similar às matrizes de outros produtos de cimento Portland, como o concreto e a argamassa, devido a agentes químicos agressivos e, adicionalmente, por decorrência de transporte, estocagem, exposição ao vento, umidade, ciclos térmicos e outros fatores climáticos.
Conclusão:
As telhas de São Paulo apresentaram desempenho mecânico similar às telhas atualmente disponíveis no mercado, e a principal alteração química foi a carbonatação.
As telhas de Criciúma tiveram deterioração compatível com o ataque de sulfato, carbonatação e lixiviação.
Em ambos os casos, liberação de fibras é menor que a esperada pelo ataque à matriz.