HORA DE LIMPAR O AR E ECONOMIZAR L$ 20 BILHÕES
John Bridle/Sophie Stone - Asbestos Watchdog - UK - 2006
Inglaterra - Pesquisas recentes demonstram que a maior preocupação com o que chamamos genericamente de 'amianto' se baseia em uma confusão científica fundamental.
O 'amianto' não é um mineral em si e sim um termo que abrange um grupo de minerais cujos cristais têm forma fibrosa. Foi adotado apenas para fim de identificação comercial.
Qualquer utilização do termo para definir as propriedades dos minerais dentro do grupo, como se todos fossem iguais, constitui-se em grave erro científico.
Há seis minerais principais abrigados sob esse termo guarda-chuva 'amianto', divididos em dois grupos:
1 - Serpentinas: contém somente um tipo de amianto, o Crisotila (Mg3 Si4 O10 (OH)2), de fibras longas e sedosas. Experiências com animais demonstram que sua biopersistencia é de 15 dias ou menos (Bernstein DM, Rogers R, Smith P, 2004).
2 - Anfibólios: contém cinco espécies de minerais, de fibras curtas duras e pontiagudas, cujos níveis de biopersistencia variam de poucos anos a muitos anos.
Os três tipos comerciais conhecidos como amianto são Crisotila (amianto branco), Crocidolita (azul) e Amosita (marrom). O mais comum é o Crisotila, que compreende 90% do amianto utilizado no ambiente urbano. Encontrado em muitos países, dos seis tipos é o que apresenta menor risco para a saúde humana. A indústria usa o amianto crisotila em mais de 3.000 produtos, em duas categorias:
1 - Produtos de alta densidade (PAD), como o fibrocimento, em que as fibras estão encapsuladas em matriz de densidade maior que 1 g/ml;
2 - Produtos de baixa densidade (PBD), como as placas de isolamento e o revestimento de tubulações, onde fibras em estado bruto são aspergidas, com um substrato, sobre as estruturas. A densidade resultante é menor que 1 g/ml.
Nestes últimos anos foram exaustivamente analisadas, isoladamente, fibras de amianto anfibólio e serpentino. Suas propriedades físico-químicas estão bem documentadas. Já é fato estabelecido que Amosita e Crocidolita, em sua forma bruta, são potencialmente muito perigosos para a saúde humana.
Outro fato de aceitação generalizada é que o Crisotila é significativamente menos perigoso, representando pouco ou nenhum risco à saúde humana aos níveis atualmente aceitos de exposição no ambiente de trabalho (Hodgson e Darnton, 2000).
Cerca de 200 estudos já demonstraram que os riscos à saúde por exposição a qualquer fibra de Crisotila liberada durante o uso e manuseio em Produtos de Alta Densidade (PAD) são extremamente baixos (Hoskins e Lange, 2004).
EQUÍVOCO CIENTÍFICO E ALARME FALSO
O erro mais fundamental que as autoridades cometem é o de extrapolar para produtos feitos com fibras de crisotila os perigos que estas fibras em seu estado bruto representam.
Do ponto de vista científico não faz sentido atribuir a um produto o risco à saúde atribuído à matéria prima nele empregada. Se esta abordagem fosse utilizada a todos os materiais potencialmente perigosos, todos os produtos derivados ficariam sujeitos às restrições impostas por sua regulamentação (o Níquel, por exemplo, é oficialmente classificado na Classe 1 de carcinogênicos e ainda assim é utilizado na fabricação de moedas de Euro).
Um dos problemas estudados pela pesquisa sobre liberação de fibras é se as propriedades das fibras de crisotila sofrem alguma alteração química quando utilizadas em Materiais Contendo Amianto (MCA).
Na lona de freio as fibras sofrem uma alteração química e estrutural com o aquecimento do material quando se usam os freios, transformando-se em um mineral diferente, uma olivina conhecida como Forsterita (Mg2 Si2 04). Também já se sabe que as fibras que passaram por uma alteração química não são mais respiráveis.
EVIDENCIA EXPERIMENTAL E EXEMPLOS
Estudos mais antigos do Reino Unido, desde 1962 (N. Smirnov), 1972 (F. D. Pooley) e 1980 (Deruyterre A, Baetten J, Helsen J), descobriram que no processo de produção de fibrocimento, o Crisotila se altera pela presença de cálcio, em função da reação química ocorrida na hidratação do cimento.
Já se demonstrou que as fibras puras de crisotila são rapidamente depuradas do pulmão, têm biopersistencia baixa (Bernstein DM, Rogers R, Smith P, 2004). E fibras alteradas, então, têm pouquíssimas chances de entrar nas vias aéreas superiores, e muito menos nos pulmões.
A alteração do Crisotila em função da hidratação do cimento e sobre a influência do ambiente foi também estudada por L. Elovskaya (1992), em uma série de experimentos originais, usando microscopia eletrônica e testes de dispersão de energia.
Concluiu que as fibras emitidas por produtos de fibrocimento durante sua utilização são significativamente diferentes daquelas emitidas por Crisotila em estado bruto. Alteram-se características de superfície, composição e estrutura dos cristais.
Estas alterações físico-químicas levam a uma diminuição da capacidade de penetração biológica das fibras de crisotila. Assim, qualquer risco representado pelo fibrocimento fica significativamente reduzido. Em 2004, Pooley publicou um trabalho confirmando Elovskaya e outros.
DA HISTERIA AO CONHECIMENTO CIENTÍFICO
O fibrocimento é 85% de todos os materiais contendo amianto no mundo. O interesse da mídia por este tema ressalta a sua importância.
Se esses achados forem analisados e reconhecidos, suas implicações práticas poderiam ser imensas, evitando que esta histeria criada pela confusão geral e pela ignorância a respeito de 'amianto' se espalhe ainda mais.
Se as autoridades puderem assegurar ao público que 85% dos produtos que aprenderam a temer, porque foram informados que eram perigosos, foram transformados pela manufatura em materiais estáveis e não reativos e que não representam nenhum risco significativo à saúde, o ganho seria enorme.
O resultado representaria a economia de cerca de 20 bilhões de libras, reduzindo a indústria da remoção de amianto e simplificando o descarte de resíduos.
Por último, mas, ironicamente, mais importante, temos a questão da mudança de nomenclatura. Modificadas química e estruturalmente, não existe mais justificativa para continuar a definir tais fibras como Crisotila.
Um novo termo para classificar o estado em que se encontram, em vista da absorção de Cálcio (Ca) e Silício (Si) seria "Casitila".
Até o momento essa confusão com a palavra 'amianto' tem sido o maior catalisador de uma onda de pânico que de forma alguma se justifica para 85% dos produtos agrupados sob este termo.
Apropriado seria o reconhecimento de um novo mineral, o 'Casitila', uma fibra que não se encontra sob nenhuma legislação atual e nem sofre discriminação.
Serviria para restaurar o bom senso a um debate que se tornou ilógico e altamente prejudicial para a nossa sociedade . Daria voz a todos que têm sofrido em função do estado atual das informações, sem que na verdade elas tenham qualquer embasamento científico.
http://www.asbestoswatchdog.co.uk
Texto resumido e editado pela Infibra, que dispõe o original traduzido.